Fé e espiritualidade
Esperar Jesus também é aprender a amar hoje
08 de outubro de 2026 · 5 min de leitura · Andreia Souza

Minha amada Rosa, como você trata as pessoas enquanto espera Jesus voltar?
Essa pergunta me faz olhar para além daquilo que digo acreditar. Ela me leva para dentro de casa, para minhas conversas e para os momentos em que sou contrariada. É ali que percebo quanto ainda preciso aprender sobre o amor que anuncio.
Durante muitos anos, ouvi sobre a volta de Jesus e a esperança do céu. Essa esperança continua fazendo parte da minha fé. Mas, no meu processo de transformação, comecei a compreender que também precisava cuidar da vida que estava vivendo aqui.
Eu precisava olhar para mim como mulher, mãe, filha e serva de Deus. Entender minhas reações, reconhecer meus erros e assumir mudanças que alcançassem meus relacionamentos.
O que 1 Tessalonicenses 5 ensina sobre esperar Jesus?
No início de 1 Tessalonicenses 5, Paulo fala sobre o dia do Senhor e chama os cristãos à vigilância e à sobriedade. No mesmo capítulo, ele orienta a comunidade a edificar uns aos outros, encorajar os desanimados, ajudar os fracos e ser paciente com todos.
A expectativa da volta de Cristo aparece acompanhada de responsabilidades concretas.
Esperar Jesus também é aprender a amar as pessoas com quem convivemos hoje.
Isso inclui quem está cansado, quem precisa de ajuda e quem não consegue caminhar no ritmo que gostaríamos. Inclui também as pessoas próximas, diante de quem nossas dificuldades aparecem com mais facilidade.
Podemos estar atentas ao que acontece no mundo e deixar de perceber como alguém dentro da nossa casa está se sentindo. O texto nos convida a uma vigilância que também alcança nossa maneira de viver.
A fé precisa chegar às conversas dentro de casa
É possível falar com delicadeza na igreja e responder com impaciência à família. Ensinar sobre perdão e ter dificuldade para pedir desculpas. Aconselhar alguém a ouvir mais e interromper quem tenta conversar conosco.
Reconhecer essas contradições pode ser desconfortável. Eu também precisei olhar para as minhas.
Isso não torna inútil tudo o que aprendemos. Mostra onde esse aprendizado ainda precisa se transformar em atitude.
Uma pergunta me ajuda nesse caminho: quando alguém me diz que ficou magoado, eu procuro compreender ou começo imediatamente a me defender?
Há uma diferença entre explicar minha intenção e reconhecer o efeito da minha atitude. Eu posso não ter desejado machucar e, ainda assim, precisar pedir perdão e agir de outra maneira.
A fé ganha expressão nessas escolhas pequenas, que muitas vezes ninguém vê além de quem convive conosco.
Ser paciente não é deixar tudo como está
Em 1 Tessalonicenses 5:14, Paulo apresenta cuidados diferentes: advertir, encorajar, ajudar e ter paciência. Isso me chama a perceber que as pessoas não precisam todas da mesma resposta.
Quem está desanimado pode precisar de incentivo. Quem está fragilizado pode precisar de ajuda. Há situações que exigem uma conversa firme e outras que pedem silêncio e escuta.
Quando oferecemos a mesma resposta para tudo, podemos deixar de enxergar a pessoa diante de nós.
Também precisamos lembrar que amar envolve verdade e limites. Ser paciente não exige aceitar humilhação nem permanecer disponível para qualquer comportamento.
Podemos cuidar de alguém sem assumir o controle da vida dela e estabelecer limites sem negar sua dignidade.
Essa compreensão importa especialmente para a mulher que aprendeu a chamar de amor o hábito de suportar tudo calada.
Olhar para dentro sem viver em condenação
Paulo orienta a comunidade a examinar todas as coisas e permanecer com o que é bom, em 1 Tessalonicenses 5:21. Esse discernimento também nos convida a observar o que estamos reproduzindo.
Uma reação pode ser antiga na nossa vida e ainda precisar de mudança. Um comportamento pode ter sido aprendido dentro da família ou de um ambiente religioso e merecer revisão.
Eu preciso perguntar: por que tenho tanta dificuldade de reconhecer um erro? Por que quero decidir pelo outro? Por que uma discordância me faz sentir tão ameaçada?
Essas perguntas não servem para nos acusar o tempo inteiro. Elas ajudam a encontrar aquilo pelo qual precisamos assumir responsabilidade.
Você pode chegar diante de Deus com sinceridade: “Senhor, eu percebo que tenho dificuldade de ouvir. Quero compreender isso e aprender a responder de outra maneira.”
Não precisamos esconder nossas limitações para buscar amadurecimento.
Sua dor também merece espaço
Ao falar sobre transformação, não quero colocar mais uma cobrança sobre a mulher que já está sofrendo.
Estar triste, confusa ou emocionalmente ferida não significa estar distante de Deus. Você pode ter fé e precisar de escuta, descanso ou ajuda profissional.
Reconhecer sua dor pode ajudá-la a compreender suas reações. Ao mesmo tempo, compreender uma ferida não elimina a responsabilidade pelas atitudes que machucam outras pessoas.
Existe espaço para cuidar do que você sente e rever o que você faz.
Essa caminhada acontece aos poucos: percebemos, assumimos, buscamos ajuda quando necessário e praticamos uma resposta diferente.
Como viver essa reflexão hoje?
Escolha uma situação concreta, em vez de tentar mudar tudo de uma vez.
Pode ser ouvir alguém até o fim. Pedir desculpas sem acrescentar uma justificativa. Perguntar antes de oferecer ajuda. Respeitar uma decisão que não é sua. Comunicar um limite com clareza.
Depois, observe: o que essa atitude exigiu de mim? O que descobri sobre minha maneira de me relacionar?
Esperar Jesus não nos torna prontas. Continuamos aprendendo, reconhecendo falhas e dependendo da graça de Deus. E podemos fazer isso com responsabilidade pela vida que recebemos agora.
Uma oração para acompanhar esse caminho
Senhor, ajuda-me a viver a esperança da tua vinda com responsabilidade pelo presente. Mostra-me as atitudes que preciso rever e dá-me humildade para reconhecer meus erros. Ensina-me a ouvir, a respeitar limites e a cuidar das pessoas sem tentar controlá-las. Que minha fé alcance minha casa, minhas palavras e minhas escolhas. Em nome de Jesus, amém.
Minha amada Rosa, qual atitude sua precisa mudar para que alguém próximo se sinta mais ouvido e respeitado?
No Casulo Rosa, os devocionais são um convite para continuar esse encontro entre fé, autoconhecimento e vida cotidiana. Você é bem-vinda exatamente como está, com espaço para reconhecer o que sente e amadurecer na maneira como ama.
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