Fé e espiritualidade
Em tempos de divisão, o que Deus espera de nós?
29 de outubro de 2026 · 5 min de leitura · Andreia Souza

Vivemos um tempo em que parece cada vez mais difícil discordar sem discutir, conversar sem ofender e defender uma opinião sem transformar alguém em inimigo.
Olho para o Brasil, para tantas divisões políticas, acusações e incertezas, e penso nas famílias que continuam tentando viver, trabalhar, educar seus filhos e construir um futuro.
Eu não gosto de me envolver em discussões políticas. Mas também sei que não estou fora das consequências daquilo que acontece no país. Sou brasileira, tenho uma família e as decisões tomadas por nossos governantes também afetam a nossa vida.
Foi pensando nisso que comecei a conversar com Deus.
Senhor, o que eu devo fazer diante de tudo isso? Como posso conduzir minha vida com sabedoria quando tantas coisas estão fora do meu controle?
Às vezes, tenho dificuldades até para resolver minhas próprias questões. Como poderia carregar a responsabilidade pelos problemas de uma nação inteira?
E, enquanto buscava direção, encontrei uma passagem que me fez refletir.
O que Deus considera realmente importante?
Em Jeremias 9:23–24, o Senhor declara que o sábio não deve se orgulhar da sua sabedoria, nem o forte da sua força, nem o rico da sua riqueza.
Mas, se alguém quiser se gloriar, que se glorie em conhecer e compreender o Senhor, que pratica o amor, a justiça e a retidão.
Essa palavra foi anunciada em um período de profunda crise em Judá. Havia injustiça, falsidade e um povo que, apesar de sua religiosidade, estava se afastando dos caminhos de Deus.
E algo me chamou a atenção: Deus não estava apenas dizendo que deveríamos conhecê-lo. Ele estava revelando aquilo que lhe agrada.
Amor, justiça e retidão.
Isso me fez pensar no quanto procuramos segurança na força de líderes, na inteligência humana, no dinheiro e nas promessas de quem afirma ter soluções para todos os problemas.
Mas nenhuma autoridade humana pode ocupar o lugar que pertence a Deus.
De que adianta defender a justiça e não praticá-la?
Comecei a perceber que talvez a pergunta não seja apenas quem está certo ou errado nas discussões que acompanhamos.
Existe outra pergunta que também precisamos fazer:
Como estou vivendo diante de tudo isso?
De que adianta exigir honestidade dos governantes se não procuro ser honesta nas minhas decisões?
De que adianta defender a justiça publicamente se sou injusta dentro da minha própria casa?
De que adianta falar sobre Deus se minhas palavras estão carregadas de desprezo por quem pensa diferente?
Não estou dizendo que devemos ignorar a política, aceitar injustiças ou deixar de exercer nossos direitos.
A participação responsável na sociedade também importa.
Mas precisamos compreender que não é necessário nos tornarmos semelhantes àquilo que estamos tentando combater.
Podemos discordar sem odiar. Defender princípios sem humilhar. Buscar a verdade sem abandonar o respeito.
E, principalmente, podemos reconhecer que nossa identidade não precisa estar condicionada a um partido, a um governante ou ao resultado de uma eleição.
O que realmente está nas minhas mãos?
Talvez eu não consiga mudar o coração de uma nação inteira, mas posso permitir que Deus trabalhe no meu.
Não consigo controlar todas as decisões políticas, mas posso buscar sabedoria para administrar meus recursos, cuidar da minha família e fazer escolhas responsáveis.
Não posso impedir todas as injustiças do mundo, mas posso me recusar a praticá-las nas relações que dependem de mim.
Também posso me informar, exercer minha cidadania, ajudar quem precisa e me posicionar quando minha consciência e meus valores exigirem.
Reconhecer meus limites não significa abandonar minhas responsabilidades.
Significa compreender a diferença entre aquilo que posso fazer e aquilo que não consigo controlar.
E essa diferença é importante para a nossa paz.
Porque podemos passar tanto tempo preocupadas com os acontecimentos externos que acabamos negligenciando a vida que precisamos conduzir hoje.
A paz de Deus não depende de um país sem conflitos
Conhecer a Deus não significa que estaremos livres das consequências das decisões humanas.
A fé não elimina as dificuldades econômicas, os problemas sociais ou as incertezas do futuro.
Mas pode orientar nossa maneira de atravessar essas situações.
A paz que buscamos em Deus não precisa ser confundida com ausência de problemas. Ela também se manifesta na confiança, no discernimento e na coragem de continuar fazendo o que é certo, mesmo quando não temos todas as respostas.
E foi isso que comecei a compreender durante aquela reflexão.
Eu não preciso carregar o peso de governar uma nação, mas preciso assumir a responsabilidade de viver com amor, justiça e retidão no lugar onde Deus me colocou.
Não quero permitir que as guerras que acontecem fora de mim destruam os valores que Deus deseja cultivar dentro de mim.
Quero aprender a reconhecer minhas responsabilidades sem viver dominada pelo medo do futuro.
Quero ter humildade para admitir meus erros, coragem para fazer o que é certo e sabedoria para não transformar cada discordância em uma batalha.
Uma oração para os tempos que estamos vivendo
Senhor, eu não tenho respostas para tudo o que está acontecendo.
Não sei como será o amanhã, nem posso controlar as decisões daqueles que governam.
Mas ensina-me a viver com sabedoria.
Não permitas que o medo conduza minhas escolhas, que a indignação endureça meu coração ou que a necessidade de estar certa me faça esquecer o amor.
Ajuda-me a reconhecer minhas responsabilidades, a praticar a justiça naquilo que está ao meu alcance e a permanecer firme na verdade sem perder a humildade.
Cuida da nossa nação, das nossas famílias e daqueles que sofrem.
E, enquanto tantas coisas acontecem fora do meu controle, continua transformando aquilo que existe dentro de mim.
Amém.
Talvez não esteja em nossas mãos decidir todos os rumos de uma nação. Mas ainda está diante de nós a responsabilidade de escolher que tipo de pessoa seremos enquanto atravessamos este tempo.
E essa escolha também faz parte da nossa caminhada de autoconhecimento, fé e transformação.
No Casulo Rosa, acredito que olhar para dentro não significa ignorar o mundo, mas aprender a participar dele sem perder nossa identidade, nossos valores e nossa responsabilidade.
Se você também está buscando compreender melhor seus sentimentos, fortalecer sua identidade e encontrar direção para suas escolhas, continue essa reflexão nos conteúdos do Casulo Rosa.
Conheça-se. Transforme-se. Voe!
Andreia Souza — Casulo Rosa
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