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Desenvolvimento feminino

Quando o orgulho esconde a insegurança: o que a história de Roboão nos ensina

28 de outubro de 2026 · 5 min de leitura · Andreia Souza

Mulher sentada próxima a uma janela, observando seu reflexo com expressão pensativa. Um caderno e uma Bíblia repousam sobre a mesa, em um ambiente acolhedor que representa a reflexão sobre orgulho, insegurança e autoconhecimento.

Nem sempre a pessoa que demonstra mais força é aquela que se sente mais segura. Às vezes, a necessidade de impor autoridade, controlar situações e nunca admitir um erro esconde uma insegurança que ela mesma ainda não reconheceu.

Foi sobre isso que comecei a refletir enquanto lia a história de Roboão, filho de Salomão, em 1 Reis 12.

Quando o orgulho nos impede de ouvir

Depois da morte de Salomão, Roboão assumiu o trono. O povo procurou o novo rei e pediu que aliviasse as cargas pesadas impostas durante o governo de seu pai.

Roboão pediu três dias para responder.

Primeiro, consultou os conselheiros mais velhos, que haviam servido a Salomão. Eles recomendaram que ouvisse o povo e atendesse ao pedido, pois assim conquistaria sua lealdade.

Mas Roboão rejeitou aquela orientação.

Em seguida, procurou os jovens que haviam crescido com ele. Eles aconselharam que demonstrasse ainda mais severidade do que seu pai.

E foi esse conselho que Roboão escolheu seguir.

Sua decisão provocou uma revolta e contribuiu para a divisão do reino, acontecimento que a Bíblia também apresenta no contexto do juízo de Deus sobre a infidelidade de Salomão (1 Reis 11:9-13; 12:15).

O que me chama a atenção é como podemos ouvir diferentes conselhos e escolher justamente aquele que confirma o que desejamos fazer.

Às vezes, não estamos procurando orientação. Estamos procurando aprovação.

Queremos alguém que concorde conosco, fortaleça nossas opiniões e nos faça acreditar que não precisamos reconsiderar nossas escolhas.

Mas será que estamos realmente dispostas a ouvir aquilo que contraria nossa vontade?

Quando o orgulho se torna uma máscara

Existe outro detalhe nessa história que me faz pensar.

Roboão já era rei. Ele não precisava provar ao povo que ocupava o trono.

Poderia ter ouvido suas necessidades sem deixar de exercer autoridade. Mas escolheu responder com ameaças de maior severidade.

A Bíblia não afirma que Roboão agiu por insegurança. Ainda assim, sua atitude nos convida a refletir sobre um comportamento que também encontramos em nossos relacionamentos.

Às vezes, aquilo que parece força é apenas uma tentativa de esconder nossas próprias fragilidades.

Uma pessoa pode tentar controlar tudo porque teme perder o controle. Pode reagir agressivamente a uma opinião diferente porque se sente ameaçada. Pode ter dificuldade para pedir desculpas porque acredita que reconhecer um erro diminuirá seu valor.

Em algumas situações, o orgulho funciona como uma proteção emocional.

É como se a pessoa precisasse demonstrar o tempo inteiro uma força que ainda não consegue reconhecer dentro de si.

Mas parecer forte não é a mesma coisa que ser forte.

Provérbios 16:18 nos lembra que a soberba precede a ruína e a altivez do espírito, a queda.

O orgulho pode oferecer uma sensação momentânea de superioridade, mas também pode nos afastar das pessoas e das oportunidades de amadurecimento.

Nossa história pode explicar nossas reações

Quando começamos a olhar para nossa própria história, podemos reconhecer comportamentos que aprendemos muito antes de compreender suas consequências.

Uma mulher que cresceu sendo constantemente diminuída pode ter desenvolvido uma postura defensiva.

Outra, que viveu em um ambiente inseguro, pode sentir necessidade de controlar todas as situações.

E aquela que teve suas fragilidades usadas contra si pode ter aprendido a nunca demonstrar vulnerabilidade.

Isso não significa que toda pessoa orgulhosa seja insegura, nem que experiências difíceis justifiquem atitudes que machucam os outros.

Significa que precisamos compreender nossas reações sem deixar de assumir responsabilidade por elas.

A nossa história pode explicar alguns comportamentos, mas não precisa determinar quem continuaremos sendo.

O autoconhecimento começa a produzir mudanças quando deixamos de observar apenas aquilo que os outros fazem conosco e também reconhecemos aquilo que fazemos com os outros.

A verdadeira autoconfiança não precisa provar nada

Existe uma diferença entre estar segura de quem somos e precisar demonstrar força o tempo inteiro.

Uma mulher segura pode estabelecer limites, discordar e dizer não. Mas também consegue ouvir, reconsiderar uma decisão e reconhecer quando está errada.

Ela compreende que aceitar um conselho não significa perder autonomia.

Que mudar de opinião não significa falta de personalidade.

E que admitir um erro não diminui seu valor.

Autoconfiança não é acreditar que sempre estamos certas. É saber que continuamos tendo valor mesmo quando descobrimos que estávamos erradas.

Provérbios 11:2 relaciona a humildade à sabedoria. E Provérbios 15:22 destaca a importância dos conselhos para a realização dos planos.

Esses princípios nos lembram que maturidade não é saber tudo, mas reconhecer que ainda temos muito a aprender.

Talvez uma das perguntas mais importantes que possamos fazer seja:

Estou defendendo essa decisão porque acredito que ela é correta ou porque preciso provar que ninguém pode me contrariar?

A maior força está em saber quem somos

Quanto mais compreendemos nossa identidade, menos precisamos usar máscaras para demonstrar valor.

Não precisamos transformar toda discordância em uma disputa, nem confundir posicionamento com imposição.

Podemos ser firmes sem humilhar, humildes sem nos anular e seguras sem precisar controlar as pessoas.

A história de Roboão me faz lembrar que uma demonstração de poder pode produzir justamente o contrário daquilo que pretendemos: afastar pessoas e enfraquecer relacionamentos.

Por isso, conhecer quem somos também exige coragem para reconhecer nossas contradições.

A maior força não está em quando precisamos nos posicionar. Está em quando já estamos posicionadas.

No Casulo Rosa, acredito que o autoconhecimento não consiste apenas em reconhecer nossas dores, mas também em perceber os comportamentos que precisamos transformar.

Se essa reflexão despertou perguntas sobre sua própria história, continue explorando os conteúdos do Casulo Rosa. Esse pode ser um caminho para compreender suas reações, fortalecer sua identidade e construir relações mais conscientes.

Conheça-se. Transforme-se. Voe!

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